
A década é 1990. As rádios tocam O canto da cidade, de Daniela Mercury, Liberar geral, do Terra Samba, Cheia de mania, do Raça Negra, e Domingo, do Só Pra Contrariar, que vive o seu auge. A partir das lembranças dessa época, Alexandre Pires, ex-vocalista do SPC, definiu o repertório do Baile do Nego Véio, projeto itinerante que desembarca neste sábado (28) em Belo Horizonte, como um convite aos nostálgicos dessa fase.
Mas o saudosismo noventista vai além do samba e do pagode. Durante as três horas de show, o mineiro de 42 anos promete animar o público com outros estilos que também marcaram a década, como o rock do Skank, Jota Quest e Charlie Brown Jr, o funk de Claudinho & Buchecha, o axé de Chiclete com Banana e É o Tchan e o sertanejo raiz de Zezé di Camargo & Luciano e Leandro & Leonardo. Os bailes sempre contam com a participação de um convidado, mas ele prefere manter surpresa em relação à atração extra na capital mineira.
A expressão “Nego véio”, que dá nome à turnê, é a forma pela qual Alexandre é chamado entre os amigos. O baile é também recordação de uma trajetória que começou em Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro, e ganhou projeção nacional. Para aguentar o ritmo de um show tão longo, foi necessária uma preparação física e vocal, mas o músico garante que, do palco, não vê o tempo passar. “É impressionante, acabo o show querendo mais e sinto que o público tem a mesma sensação.”
Atualmente, Alexandre Pires se divide entre os shows do Baile e a turnê Mi corazón latino, com a qual tem rodado a América Latina cantando em espanhol. “Tem final de semana que começo em Porto Alegre e termino em Buenos Aires, então tenho que trocar o HD rápido,” brinca.
BANDAS O site do cantor reflete a diferença entre os trabalhos – de um lado, cores vibrantes e diferentes tipografias destacam a brasileirice do Baile do Nego Véio; do outro, em tons discretos e de terno branco, Pires convida – em espanhol – os fãs latinos ao projeto internacional. “São shows completamente diferentes, inclusive são duas bandas distintas,” diz.
Mas, entre tantas diferenças, ele garante que algo não muda – a receptividade dos fãs. “Acabei de voltar do Panamá e é muito gratificante ver que, mesmo eu tendo ficado muito tempo afastado desse trabalho por questões pessoais, o público ainda está ali, as casas ficam cheias.”
O cantor que se define como um “rande operário da música” busca diversificar constantemente seu trabalho. No ano passado, ele se uniu a ícone da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Ben Jor para a gravação do disco DNA musical. “Poder interpretar aquilo que sempre ouvi na minha casa e ter o carinho daqueles que fizeram a nossa música brasileira ser a mais linda de todas foi um grande sonho realizado, meu e da minha família,” afirma.
Na opinião do cantor, se antes torciam o nariz para os pagodeiros, hoje quase não há rejeição ao ritmo e a a internet teve papel de destaque nesse fenômeno. “Hoje você não tem aquela obrigação de ouvir uma determinada rádio esperando um determinado gênero. Você tem uma playlist e pode escolher ouvir o que quiser, quando quiser. Mas ele enfatiza que não aposta em outros mercados. “Eu sempre faço o que é a minha verdade, aquilo que faz parte do meu crescimento e da minha formação musical.”
ALEXANDRE PIRES BAILE DO NEGO VÉIO
Neste sábado (28), às 20h. Hangar 677 (Rua Henriqueto Cardinalli, 121, Olhos D’Água).
A partir de R$ 200 (pista premium/3º lote) e R$ 120 (VIP/2º lote). Meia-entrada na forma da lei. Mais informações: goo.gl/e7X5u3.
*Estagiária sob supervisão de Silvana Arantes