A equipe começou o estudo fazendo uma seleção rigorosa entre 6 mil moléculas já aprovadas nos EUA e que são objeto de testes científicos. “Nos concentramos nas moléculas mais próximas a uma utilização clínica”, contou Tang. Os estudiosos chegaram a duas classes de substâncias com resultados animadores: a niclosamida e a emricasan — usada em tratamentos experimentais para fibrose hepática, ela impediu a morte das células infectadas. As duas classes de substâncias se mostraram eficazes antes e depois da exposição ao zika, e com benefícios importantes quando utilizadas de maneira conjunta.
A niclosamida é bem tolerada pelo organismo humano e não apresenta riscos aos fetos. As características a tornam um potencial medicamento para evitar a microcefalia, malformação congênita que pode ser desencadeada pela infeção de mulheres durante a gravidez.
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Mesmo assim, eles não recomendam o uso do vermífugo por grávidas com o intuito de evitar as complicações do zika vírus. “Ainda não há provas de que a niclosamida seja eficaz. Estudos com animais seguidos de testes clínicos são necessários”, alertou Hongjun Song, coautor do estudo. Não prescrita por médicos, a emricasan precisa seguir as etapas de desenvolvimento de medicamentos até chegar ao uso clínico. “E isso ainda vai levar algum tempo”, ressaltaram os autores.
Não existe vacina nem tratamento contra o zika, que, em 80% dos casos, provoca sintomas que passam despercebidos. Quando há complicações, porém, elas podem ser graves.“Nossas descobertas e as ferramentas que provemos devem fazer avançar de maneira significativa a pesquisa atual sobre o zika e ter um efeito imediato sobre o desenvolvimento de tratamentos”, apostam os autores..