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Um dos desafios ao se pensar uma cirurgia robótica autônoma, na qual os médicos não encostam a mão no paciente, é que os tecidos moles — coração, intestino, estômago, entre outros — são maleáveis. Contudo, as sofisticadas ferramentas cirúrgicas e de imagem que integram o novo sistema permitem que o médico fique ao lado do robô, ajudando-o a manipular os tecidos e adaptar os movimentos à medida em que eles deformam.
“Imagine que você precisa de uma cirurgia. Não seria crucial ter o melhor cirurgião e as melhores técnicas disponíveis para garantir o sucesso do procedimento? Para os pacientes, os benefícios de ter uma máquina que traz mais segurança são óbvios. Para os cirurgiões, ter uma ferramenta que trabalhe conosco, garantindo resultados melhores, também é um benefício tremendo. E, finalmente, para o sistema de saúde pública, quando você tem um equipamento que permite reduzir custos e complicações, é claro que isso será benéfico”, justificou, em uma coletiva de imprensa, Peter Kim, cirurgião pediátrico do Instituto Xeique Zayed e um dos autores do trabalho.

Kim destacou que, apesar dessas vantagens, o mais importante é a possibilidade de programar a máquina com as mais avançadas técnicas cirúrgicas disponíveis. “Acho que, quando você junta inteligência e tecnologia, você tem a autonomia. Nossa proposta não era substituir os cirurgiões. Contudo, se você tem uma ferramenta inteligente que trabalha com um cirurgião, isso vai melhorar os resultados. Nós, cirurgiões, normalmente fazemos três coisas: usamos nossa visão, nossas mãos e nossa mente. Se pudermos melhorar todas essas coisas, o resultado de nossa tarefa com certeza fica melhor”, afirmou.
Intestino
Para testar a qualidade e a precisão do Star, os cirurgiões executaram, em porcos, a anastomose intestinal, uma complexa técnica que consiste na sutura entre dois segmentos do tubo digestivo para alterar o trânsito do intestino. “Nós escolhemos a anastomose porque é um procedimento muito difícil e requer guiar uma pequena agulha acoplada na ponta de ferramentas compridas, atingindo precisamente tecidos delicados”, explicou, na entrevista coletiva, Axel Krieger, também pesquisador do Xeique Zayed.
Embora o braço robótico tenha potencial para realizar qualquer tipo de procedimento em todos os tecidos e órgãos humanos, nessa primeira fase, ele foi programado para auxiliar os cirurgiões nesse tipo de operação. Krieger afirmou que ele é capaz de desempenhar sete movimentos autônomos diferentes e possui um sensor que limita, com acurácia, a tensão da sutura, na medida exata necessária para a cicatrização do tecido. De acordo com Ryan Decker, engenheiro do instituto que ajudou a desenvolver o sistema, a anastomose intestinal foi realizada em porcos também pela técnica manual tradicional, pela laparoscopia e pelo Sistema Cirúrgico Da Vinci, de robótica assistida. “O Star foi o que saiu melhor na sutura e na conexão dos segmentos intestinais”, observou.
Peter Kim disse que a expectativa é que o Star auxilie cirurgiões em todos os tipos de procedimentos em tecidos moles. Ele esclareceu, contudo, que, antes que o sistema esteja disponível para comercialização, é preciso testá-lo em humanos. A equipe de médicos e engenheiros não anunciou, contudo, quando começarão os experimentos clínicos.