Na Cidade do México, devido ao elevado nível de ozônio, autoridades ativaram a contingência ambiental na segunda-feira, uma medida que aconselha a população a evitar atividades ao ar livre e limita o uso de automóveis. O nível de ozônio observado foi de 194 pontos no índice de qualidade do ar, que pode afetar as vias respiratórias, provocar doenças graves em pessoas com problemas respiratórios e cardiovasculares, e ataques em pessoas asmáticas. A última vez que se ativou a fase I da contingência ambiental na Cidade do México, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas, foi em setembro de 2002, quando o nível de ozônio atingiu 232 pontos.
Na Bolívia, o governo anunciou ontem a morte de ao menos 19 pessoas, 60 mil desabrigados e 15 mil animais mortos devido ao fenômeno climático El Niño. “Estamos em emergência, plena mobilização, há um alerta vermelho em sete (de nove) departamentos”, disse o ministro da Defesa boliviano, Reymi Ferreira. O El Niño se manifestou até agora com episódios de seca, granizo e excesso de calor e chuva. A estação chuvosa geralmente dura de novembro a março.
Para diminuir as mortes ou problemas de saúde envolvendo questões ambientais, a OMS propõe receitas simples: reduzir as emissões de carbono, desenvolver os transportes coletivos, melhorar a rede sanitária, combater os modos de consumo para utilizar menos produtos químicos, se proteger do sol e impor proibições de fumar. Grande parte das sugestões foi debatida em dezembro, durante a Conferência das Partes das Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP-21, realizada em Paris.
Crianças e idosos
Para a organização internacional, “uma melhor gestão do meio ambiente permitiria salvar todos os anos” 1,7 milhão de crianças com menos de 5 anos e 4,9 milhões de idosos.
A OMS, que havia elaborado um primeiro quadro do impacto ambiental em sentido amplo em 2002, estabelece uma lista das 10 primeiras patologias vinculadas ao ambiente. A organização afirma que 8,2 milhões de mortes por doenças não transmissíveis podem ser atribuídas à poluição do ar. Trata-se, sobretudo, dos acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, câncer e doenças respiratórias. Os traumas não intencionais, como os acidentes de trânsito, também são classificados pela OMS entre as patologias relacionadas ao meio ambiente e representam 1,7 milhão de mortes em 2012.
A organização considera que os acidentes de circulação também estão relacionados ao meio ambiente porque com frequência são causados pelo mau estado das estradas. A entidade acredita ainda que a diarreia, que ocupa o sexto lugar no grupo das 10 doenças listadas, é provocada com frequência por uma rede sanitária fraca, provocando 846 mil mortes anuais.
Os “traumatismos voluntários”, que incluem os suicídios, são a 10ª causa das mortes relacionadas ao meio ambiente. Para a OMS, certos suicídios são provocados por acesso a produtos tóxicos, como os pesticidas, e portanto relacionados ao ambiente. No Sudeste asiático, onde é registrado o maior número de mortes vinculadas ao meio ambiente, morrem 3,8 milhões pessoas por ano. Em segundo lugar figura a região do Pacífico (3,5 milhões), seguida da África (2,2 milhões), Europa (1,4 milhão), Oriente Médio (854 mil) e Américas (847 mil)..