

Se é um ato natural, por que tanta polêmica? Uma resposta simples é o fato de vivermos em uma sociedade machista que objetifica e hipersexualiza o corpo da mulher. E essa parece não ser uma realidade apenas no Brasil, já que a amamentação em público motiva discordâncias mundo afora. Tanto é que Nova York adotou uma nova medida que pretende “melhorar a experiência da amamentação” nos aeroportos da cidade. A empresa Mamava projetou cabines criadas especialmente para a hora de a mãe ‘dar o peito’. O site oficial da empresa afirma que os compartimentos têm espaço para bagagem, carrinho de bebê, mesa dobrável e cadeira acolchoadas. Só que sem janelas, já que a ideia é dar “privacidade” para mãe e filho. O Milwaukee's General Mitchell International Airport anunciou a compra e instalação de três cabines.
Post na página do Mamava no Facebook: "Orgulho de compartilhar a imagem da unidade Mamava instalada em Tucson, Arizona. Uma agência federal à frente de seu tempo e fazendo a coisa correta para mamães merecedoras."
saiba mais
-
54 dias: por que a média brasileira de aleitamento materno exclusivo é tão baixa?
-
Dez dicas para facilitar a amamentação
-
Mães de BH posam para ensaio fotográfico que chama atenção para o preconceito com a amamentação em público
-
Câmara de BH aprova multa para quem impedir mãe de amamentar
-
Sociedade de Pediatria 'choca' com imagens de campanha sobre aleitamento materno e é alvo de críticas
-
'Mamaço no espaço': projeto quer sensibilizar pessoas para a amamentação em público
-
Fotógrafa australiana é banida do Instagram por publicar foto de amamentação
-
Amamentação e trabalho é tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno
-
Quatro motivos para não amamentar em público: vídeo ironiza argumentos mais utilizados
-
Amamentar pode reduzir risco de leucemia infantil
-
Mulheres explicam por que machismo torna necessária lei para garantir amamentação
-
Haddad sanciona lei que prevê multa para estabelecimentos que impedirem amamentação
Enquete: a amamentação em público deve ser restrita?
A ativista diz ainda que Poços de Caldas está próximo de aprovar uma lei que garanta o direito da amamentação em público. No mês passado, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em segunda votação um projeto de lei que prevê uma multa de R$ 500 para estabelecimentos que proibirem o aleitamento ou constrangerem a mulher enquanto amamenta. No caso de reincidência, o valor será de R$ 1 mil. O projeto vai para a sanção do prefeito Fernando Haddad.
Opiniões mundo afora
Pesquisa recente realizada pela Lansinoh mostrou que a maioria das brasileiras (55%) acha perfeitamente natural amamentar em público; 22% considera inevitável, 21% constrangedor e apenas 2% acha errado. O estudo foi realizado com 13.169 mães e gestantes em nove países no primeiro semestre de 2014 e pode ser lido na íntegra aqui. No Brasil, foram entrevistadas 2 mil pessoas.
Além do Brasil, foram ouvidas mulheres de China, França, Alemanha, Hungria, México, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. No país de Barack Obama - onde as cabines do Mamava serão instaladas - 57% acha perfeitamente natural amamentar em público. O Reino Unido é o país em que essa porcentagem alcançou o maior número: 63%. Na China, apenas 19% considera o ato natural e, para 20% das mães turcas amamentar em público é errado. Veja os dados completos:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que até os seis meses de idade a criança só se alimente do leite da mãe, ressalta a qualidade do alimento produzido pelo corpo da mulher, os benefícios para as crianças e recomenda a amamentação até os 2 anos de idade ou mais.
A pesquisa mostra também que à medida que o bebê cresce, a aceitação do aleitamento materno como algo natural cai nos países pesquisados. Mesmo assim, a porcentagem das brasileiras que considera o gesto como 'fantástico' prevalece: 44%. Veja o que acontece nos outros países quando a pergunta é: “se você visse uma mãe amamentando seu filho de dois anos em público, o que você pensaria”?

Veja imagens internas da cabine:
Qual a sua opinião sobre a cabine de amamentação? Deixe aqui seu comentário.