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Algumas imagens apontam, de forma bem objetiva, como essas regras começam já na infância - a identificação do que é 'de menino' ou 'de menina', por exemplo.
Com a repercussão positiva, algumas peças foram traduzidas para o inglês, espanhol, alemão, russo e italiano, ganhando referências também em sites internacionais.
Carol explicou ao Saúde Plena que passou pela fase clássica de 'criança que gosta de desenhar', mas com uma diferença: manteve esse foco na adolescência e vida adulta. Talentosa, formou-se designer quando já trabalhava como ilustradora.
A decisão de retratar fatos rotineiros vividos pelas mulheres foi natural, vinda do cotidiano - não houve influência de um episódio específico. “Comecei essa série em abril deste ano, mas não imaginava que teria essa repercussão. Eu queria simplesmente praticar e aperfeiçoar minha técnica com lápis de cor. Resolvi fazer isso escrevendo mensagens positivas, mais direcionadas aos meus amigos e parentes que acompanhavam a página”, revela, de maneira despretensiosa.

-Você considera sua mensagem feminista?
Sim, minhas mensagens têm muito a ver com o feminismo. Mas deve-se ressaltar que o feminismo é um movimento muito plural e diversificado, com várias correntes e formas diferentes de ativismo. Eu me identifico com uma forma bem abrangente do feminismo, que não foque apenas na questão do gênero, mas também discuta o racismo, a representação do ser humano na mídia, as demandas LGBT. E que inclua as mulheres trans e com deficiência.
Escolhi a figura feminina por identificação e representação. Como disse, começou como um projeto extremamente pessoal. Eu quis desenhar mulheres porque eu gosto, e acho confortável. Mas o projeto foi crescendo e hoje acho que é um espaço considerável de representação feminina, e pretendo manter isso.
-Qual a sua expectativa em relação à série?
As mensagens que venho recebendo são incríveis e me fazem sentir que o trabalho já valeu a pena, só de ter conseguido fazer diferença na vida de algumas pessoas. Foi algo que jamais imaginei que fosse acontecer, quando desenhei a primeira. A repercussão tem sido realmente incrível. Muito inesperado, muito bacana e um pouco assustador. Tenho o sonho de lançar um livro e criar uma galeria virtual para divulgar meu trabalho. Espero conseguir logo, logo!
-Você acha que desconstruir o machismo e o preconceito é muito difícil?
Desconstruir uma situação banalizada de opressão nunca é fácil. Isso se aplica não só ao machismo, mas também ao racismo e à homofobia. É algo bem complicado por envolver um conceito muito específico – o privilégio. É preciso muita humildade para reconhecer isso na gente mesmo.

Não é de uma hora pra outra, com uma única discussão na internet que isso muda. Mas muda. Comigo mudou. Claro que, na minha posição não-privilegiada no machismo, enquanto mulher, isso foi mais fácil. Mas foi difícil reconhecer, imediatamente, meus privilégios em outras questões - sou branca, classe média, cisgênero, sem nenhuma deficiência física e há 7 anos em uma relação monogâmica heterossexual.
Eu sou muito privilegiada, e consegui me dar conta disso e fazer o que eu posso pra mudar a situação. Outras pessoas também podem.
