
Os dados foram agrupados por um time de pesquisadores internacionais responsáveis pelo Estudo de Carga Global das Doenças (GBD-2013). Esse é considerado o maior esforço já realizado para descrever profunda e amplamente a distribuição de uma série de enfermidades, lesões e fatores de risco. E, de acordo com a publicação, as taxas são bastante animadoras. Atualmente, menos pessoas morrem das três doenças infecciosas. O número de novas infecções pelo HIV caiu quase um terço do que foi considerado o pico epidêmico. Em 1997, a incidência global do vírus atingiu o seu máximo, com 2,8 milhões de novas infecções e, desde então, diminuiu cerca de 2,7% ao ano. As mortes de crianças por malária na África Subsaariana, por sua vez, caíram 31,5% entre 2000 e 2013, período em que os óbitos devido à tuberculose sofreram diminuição de 3,7%.
Na opinião do professor da Universidade de Melbourne e cofundador do GBD, Alan Lopez, as três doenças correspondem às principais causas de perda de saúde nos países pobres e devem ser o foco principal da ação da saúde global concertada. “Sem isso, corremos o risco de estagnação ou, pior ainda, de reversão inescrupulosa de ganhos recentes”. De acordo com o documento, o HIV tornou-se uma doença com a qual as pessoas vivem e não da qual morrem. Essa conclusão pode ser tirada dos mais de 20 milhões de anos de vida salvos durante a última década por meio de programas assistenciais.
As intervenções mais bem-sucedidas que proporcionam esse resultado hoje incluem a ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral, a prevenção da transmissão vertical (de mãe para filho) e a profilaxia para impedir a infecção. Dos milhões de anos salvos com a melhoria das condições de saúde, 14% foram poupados em crianças com menos de 15 anos de idade, 50% entre indivíduos de 15 a 49 anos e os outros 36% em pessoas com mais 50.

Dados precisos
Os resultados são uma atualização do mesmo estudo feito em 2010, sendo que, desta vez, foi possível visualizar estimativas muito diferentes do que a previsão. A população de pessoas vivendo com o HIV na Europa Oriental e Central foi 60% menor do que estimado, sendo 69% menos especialmente na Rússia. As melhorias na metodologia de coleta e amostragem dos dados revelaram que países identificados como tendo epidemias concentradas tiveram 39% menos mortes e 53% menos pessoas vivendo com a doença. Ao mesmo tempo, as mortes em países com epidemias generalizadas aumentaram 23%.
Um dos representantes brasileiros do time de pesquisadores do estudo GDB, Paulo Lotufo, também professor da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Pesquisa Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, explica que o refinamento dos dados é uma das vantagens do GBD frente a outras pesquisas com dados semelhantes. São nuances diferentes trazidas pelas pesquisas. “A gente nunca sabe, dependendo da doença, quando se chega a um platô. Pode ser que estejamos chegando a ele, um período em que a infecção fica endêmica, sempre com o mesmo número de casos. Então, é preciso tomar novas atitudes para reverter isso.”
O médico considera que essa diminuição das infecções para as três enfermidades exige uma nova discussão sobre novas medidas a serem tomadas e ressalta que nunca é um momento de relaxar no cuidado destinado a elas. “Todas as doenças infecciosas implicam em um grau de vigilância constante. Não existe doença que se extinguiu. O fato de estar caindo não pode reduzir a nossa preocupação.” Ele ressalta que bactérias e vírus não têm nacionalidade, não respeitam padrões culturais ou fronteiras.