Participe: A amamentação em público deve ser restrita?
Para tentar impedir as restrições à amamentação em público, um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo prevê multa de R$500 para os estabelecimentos que impedirem ou constrangerem mães que estão amamentando.
Em outra frente dessa discussão, no entanto, propostas para alterar a legislação têm foco nas mães que trabalham fora de casa ou estudam e que enfrentam outras dificuldades para não precisar interromper a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida da criança. Na Câmara dos Deputados, está em tramitação o Projeto de Lei 2083/11, do deputado Manato (PDT-ES), que torna obrigatória a existência de salas de apoio à amamentação em órgãos públicos federais. De acordo com a proposta, as salas servirão para servidoras e funcionárias fazerem a ordenha e a armazenagem de leite no horário de expediente, de acordo com regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
É importante lembrar que, em setembro de 2008, foi sancionada a Lei 11.770, que estabelece a licença maternidade de seis meses, sem prejuízo do emprego e do salário, para as funcionárias públicas federais, ficando a critério dos estados, municípios e empresas privadas a adoção desta Lei. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece, no artigo 9º: "O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade".
Para tentar garantir e ampliar o direito à amamentação para mulheres que são estudantes ou ainda para aquelas que trabalham em ambiente escolar, um vereador de Belo Horizonte apresentou em 2013 proposta destinada a estabelecimentos da rede municipal de ensino público e privada. A ideia é que haja um espaço para receber essas mães. “Esta foi uma demanda de várias mulheres que são estudantes. Para não interromper a alimentação exclusiva no peito até os seis meses, a família geralmente leva a criança até a escola ou universidade. A mulher deixa a sala de aula e acaba amamentando de forma desconfortável, em pé, porque não quer interromper novamente a rotina da turma. Se houver um espaço para isso, mãe e bebê terão mais conforto, dignidade e tranquilidade, sem que ela precise interromper seus estudos”, pondera o vereador Joel Moreira Filho (PTC), autor da proposta.
O projeto já foi aprovado em todas as comissões da Câmara Municipal de Belo Horizonte e deve ir a plenário nos próximos 60 dias.
O Ministério da Saúde tem uma 'Cartilha para a mãe trabalhadora que amamenta', com explicações detalhadas sobre os direitos da mulher e dicas para um processo de amamentação mais prazeroso. A publicação tem 24 páginas e pode ser acessada, na íntegra, aqui.
Para mais informações, consulte também o site da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – Ibfan Brasil.