

Cintia descobriu o linfoma de Hodgkin em maio do ano passado. “Quando cheguei ao médico correto, eu já tinha o nódulo na virilha havia uns sete meses. Como achava que não era nada grave, eu deixava sempre para depois”, lembra. O tratamento consistiu em sessões de quimioterapia quinzenais durante nove meses. “Eu tive algumas limitações por causa da imunidade, tinha que evitar locais fechados e com muitas pessoas, mas as outras coisas todas eu fiz”, conta. Cintia continuou a passear no shopping em horários mais vazios, caminhar no parque, ir ao cinema, com exceção dos quatro primeiros dias após a aplicação do tratamento, quando o enjoo e o mal-estar ficavam muito fortes.
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A partir do terceiro estágio — quando os nódulos devem ter atingido também alguma estrutura abaixo do músculo, por exemplo, a virilha — a doença é considerada avançada. “O fato de estar em estágio quatro quer dizer que a doença está acometendo estruturas no tórax, abaixo do tórax e, às vezes, a medula óssea. É o que indica que o problema atinge vários locais no organismo, inclusive áreas que não são de linfonodos”, explica Ricardo Bigni, hematologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Na doença de Hodgkin, assim como em outras enfermidades hematológicas, não é usado o termo metástase porque não há a disseminação de um tumor localizado para outro órgão. “Como acometem estruturas linfáticas, essas doenças, por si só, têm a característica de ter comprometimentos mais distantes. Por isso, falamos de extensão da doença, diferentemente do que seria em um câncer de pulmão que atingiu a cabeça”, explica Bigni.
Da mesma forma, não é o tipo de doença que pode ser tratada por uma cirurgia para a retirada do nódulo, que é parte superficial e visível do mal. No organismo, outras muitas células podem sofrer com a doença que se espalha em meio ao funcionamento normal do sistema linfático. Bigni esclarece que o tratamento é o mesmo para qualquer estágio do linfoma de Hodgkin. A diferença está no número de sessões quimioterápicas indicadas. Pacientes com tumores mais resistentes podem se submeter ao transplante autólogo de medula óssea ou recorrer a medicamentos mais modernos.
O patologista inglês Thomas Hodgkin identificou os linfomas em 1893 devido a uma particularidade evidente da doença: os gânglios superficiais proeminentes. “Quando pacientes com as ínguas faleceram, ele analisou o material e encontrou algumas estruturas identificadas como causadoras da doença, que passou a ser chamada linfoma de Hodgkin”, conta Daniel Tabak, membro do Comitê Científico Médico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). Hodgkin analisou as células dos tumores e descreveu a doença. Todos os linfomas descobertos depois disso foram denominados não Hodgkin por não apresentarem a mesma caracterização definida pelo patologista.
Contra a toxicidade
O transplante autólogo de medula é considerado uma quimioterapia, mas feita contra tumores muito agressivos ou resistentes às primeiras tentativas. Aumenta-se a dose do tratamento para quebrar a resistência do tumor. Para minimizar os efeitos da toxicidade, retira-se uma parte da medula ainda saudável do paciente e ela é congelada. O indivíduo recebe uma quimioterapia de alta dosagem, sem preocupação com a saúde da medula óssea que pode ser comprometida, já que será transplantada e reconstruída em seguida.