Mas o slack – que surgiu nos anos 80 como uma brincadeira entre os praticantes de escalada - foi se tornando bem mais sofisticado ao longo do tempo e o desafio deixou de ser apenas chegar ao outro lado. O esporte conta com competições internacionais que avaliam dificuldade, estilo e precisão na realização de manobras. Foi integrado à última turnê de Madonna e às performances do Cirque de Soleil. Hoje, é dividido em quatro modalidades:
Em seu primeiro contato com o slackline, ele conheceu o hoje sócio Gabriel Amaral, designer e praticante de parkour – esporte criado na França que consiste em ultrapassar obstáculos, utilizando apenas o próprio corpo, para chegar até um destino da forma mais rápida possível. Os dois passaram a organizar encontros para difundir o slackline em Belo Horizonte, produziram vídeos e começaram a atrair cada vez mais público, recebendo convites para se apresentarem em eventos de outros estados. Mas esbarraram na necessidade crescente de equipamento.
Mas eles não pararam por aí. Por meio dos vídeos que editava e colocava na internet, Gabriel foi convidado para fazer o processo de seleção do Cirque de Soleil. Ele está no Canadá há oito meses, passou por todas as etapas e já integra o elenco do espetáculo 'One' (baseado nas músicas de Michael Jackson).
O sonhos dos amigos se tornou coletivo. Conheça alguns atletas patrocinados por eles:
Veja o vídeo do campeonato realizado em 2012 pela Pé na Fita, em Belo Horizonte:
Democracia
Todos podem caminhar na fita suspensa. Determinação é o único requisito fundamental e a atividade não exclui as crianças – desde que acompanhadas por adultos – e os deficiente visuais, por exemplo. A única recomendação é que, no caso de crianças, pessoas com deficiência e idosos, a fita deve estar mais tensionada e mais próxima do solo. A Pé na Fita já levou o slack inclusive para o programa Segundo Tempo, oferecido pela Prefeitura de BH a estudantes de 6 a 17 anos.
Além disso, por ser um esporte relativamente recente, há enorme potencial de invenção de manobras. Com dedicação, a performance melhora de forma bem acelerada, o que traz mais motivação. A atividade garante melhoria do equilíbrio e da estabilidade do corpo, é claro, mas também desenvolve a habilidade de concentração, de esquecer o que está ao redor.
O gasto de energia com as manobras promove condicionamento cardiovascular e perda de peso. “Além disso, o slackline é acessível e fácil de praticar. De quebra, ele promove a redescoberta da cidade. O equipamento pode ser montado em vários lugares; e quando estudamos os melhores locais para a prática, acabamos tendo contato com regiões, praças e parques que não conhecíamos”, explica Bernardo.
Assista ao vídeo e conheça o highline. As imagens foram gravadas em abril na Serra do Cipó.
Entre aqueles que já aprenderam o básico, a regra é simples: quando uma pessoa cai, a outra sobe na fita. Mas, nas competições de padrão internacional, os critérios são mais complexos. Os atletas se enfrentam em “batalhas” eliminatórias e devem, em um espaço definido de tempo, executar manobras com apuro técnico, amplitude, criatividade e que provoquem a empatia do público. As provas podem acontecer em eventos esportivos mas podem também ser online, em que os jurados avaliam a performance por meio de vídeos.
Para quem está começando, por R$50/hora, é possível combinar com a equipe Pé na Fita uma aula particular. O aluno vai ser acompanhado por um profissional de educação física no local adequado à prática mais próximo à casa dele. Caso queira continuar, pode ser o caso de comprar uma fita. O equipamento varia entre R$290 e 500 reais, de acordo com o tamanho da fita e os acessórios. O kit completo, com proteção para a árvore – sim, ela merece - fita e catraca para ancorar, pesa cerca de três quilos e pode ser levado dentro de uma mochila.
O percurso pode ser feito descalço ou com um tênis de sola reta. Tênis para corrida, por exemplo, com amortecedores, não serve. “O legal do slackline, quando você está começando, é que imediatamente se cria um objetivo. Primeiro, ficar em pé na fita. Depois, dar o primeiro passo. Depois, atravessar até a outra ponta. Há sempre uma nova motivação para continuar”, explica Bernardo.
Por falar em iniciante, foi Bernardo que trouxe para a fita a bióloga Izabella Costa Machado. Ela sempre praticou esportes – futsal, musculação, spinning e muay thai – e havia estudado com o sócio da Pé na Fita, mas perderam um pouco o contato. Reencontraram-se em um dia em que ela foi acompanhar amigos que queriam conhecer o slackline. “Faz muito bem para o corpo e mente. Além de enrijecer e tonificar os músculos, você aprende a esquecer a vergonha de cair e passa a se preocupar apenas com sua meta. Além de muito divertido, o slackline tem me ensinado a persistência. Recomendo a todos”, resume a marinheira de primeira viagem.
Confiança e boa postura são muito exigidas no slack. Para a primeira, uma boa dica é não deixar o olhar ficar preso aos pés. Levante a cabeça e olhe para o ponto que você quer atingir, seja o meio da fita, seja um passo à frente, seja a outra árvore. Para a segunda, músculos abdominais e pernas devem acompanhar esse exercício.
A gente acaba se sentindo meio surfista/skatista, pela oportunidade rara de curtir a cidade e uma atividade ao ar livre. E a cidade parece mesmo carente disso. Foi só estender as fitas em um gramado próximo ao Marco Zero da Lagoa da Pampulha, que vários curiosos vieram. Primeiro ficaram de longe, assistindo, depois perguntaram como fazem para aprender. Fascinados.
Dá para entender perfeitamente porque os atletas consideram o slack um estilo de vida: o convite a continuar, melhorar e evoluir é irressitível.
O quê? Slackline
Onde? Com a Pé na Fita (www.penafitastone.com.br e www.facebook.com/penafitaslackline) Em praças, parques, praias, condomínios, clubes e outros locais que permitam fixar o equipamento.
Investimento em equipamentos? O kit com fita, proteção para árvore e catraca varia entre R$290 e 500 reais, de acordo com o tamanho da fita e os acessórios. Uma vaquinha entre os amigos mais próximos pode ser bem-vinda. Saiba mais em www.facebook.com/elephant.brasil
Pré-requisitos: Gostar de desafios e de lugares abertos
Contraindicações: Apenas para pessoas com lesões graves nas articulações
Dicas: Uma dica muito importante, e não é brincadeira: use filtro solar. Outra coisa: não confunda slackline com corda bamba, atividades circenses e afins. São coisas diferentes. Fora isso, relaxe e respire a vida ao ar livre
Avaliação final: Um dos diferenciais do slackline em relação às outras aulas que já apresentamos aqui no Manual do Iniciante é que ele convida a estar na cidade, na natureza. Além disso, uma vez que você aprende os passos e manobras básicas, pode comprar o equipamento e se exercitar sozinho, sempre que puder, sem ficar preso a horários e ao trânsito. Apesar disso, não é uma atividade individualista ou isoladora. Os praticantes sempre se reúnem para se divertirem, viajar e divulgar o esporte.
Neste vídeo, os praticantes do slackline mostram o potencial da Serra do Cipó, destino de muitos belo-horizontinos nos feriados, para o esporte. As imagens reúnem trickline, highline, longline e waterline:
A série Manual do Iniciante vai fazer um 'test drive' de atividades ligadas à saúde e ao bem-estar. Se você quiser sugerir um tema, mande uma mensagem para saudeplenauai@gmail.com