

No palco, a cantora da Mauritânia Noura Mint Seymali e seus três músicos desfiguravam as matrizes do blues norte-americano para apresentá-lo em sua origem, oeste-africano, esculpido pelas escalas árabes de Noura e pela guitarra crua de Jeich Ould Chighaly. Na tela, Paula Rego mostrava os conflitos de uma Rainha Santa Isabel em traços coloridos e muita angústia, traindo a placidez e a benevolência dos santos. No palco, o português Rui Veloso fazia sua tradução do lamento fadista sob o conforto de solos de guitarras monumentais, traindo a fúria do rock que lhe deu forma. Só atingiria a festa, como ensinaram os modernistas, quem primeiro passasse pela dor.
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As apresentações do pianista Matthew Whitaker, o menino norte-americano cego de 17 anos ungido por Stevie Wonder; do grupo moçambicano mesmo de certo didatismo Timbila Muzimba; da jovem guitarrista de fado Marta Pereira da Costa; do pianista israelense Shai Maestro; e da formação instrumental jazzística jovem e fresca do Gogo Penguim, do Reino Unido, mostram um radar ajustado para o futuro e evita que o festival se feche em uma bolha étnica, nostálgica ou ideológica.
Os brasileiros enfrentam um terreno curioso. Interessante ver o Baiana System sem a mesma recepção bombástica, testando a força de seu show sem subir ao palco com o jogo ganho. Os portugueses olham bem o mar antes de mergulhar. Dona Onete, ladeada pelo guitarrista Pio Lobato, tem uma força de palco que pode levá-la ao mundo todo. A rainha do carimbó traz um Brasil desconhecido por aqui, com uma música de acento binário que faz o europeu se perguntar onde está o samba.