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O fluminense de 67 anos levanta da cadeira, senta-se ao piano, toca Parabéns pra você de brincadeira e sinaliza que está tudo certo com o instrumento. A plateia ri e ele toca solto, livre, bonito. Em Infância, impressiona pela destreza com que mantem “cama” com a mão esquerda, enquanto a direita ronda ora as teclas graves, ora as teclas agudas. Um braço passa por cima do outro sem qualquer dificuldade e sem que o artista demonstre qualquer sinal de esforço. Até o fim do concerto, é tudo muito natural. E belo, muito belo.
Ele une com desenvoltura ritmos populares brasileiros às técnicas sofisticadas que domina ao piano. Um resultado que fascina e, ao mesmo tempo intriga. Porque é rebuscado e, ao mesmo tempo, chega fácil ao ouvido. Quantos músicos no país conseguem apresentar um concerto assim, seja pela técnica apurada, seja pelo repertório significativo e volumoso? Uma pérola como Café, por exemplo, foi “citada” ao violão durante apenas alguns segundos, tempo suficiente para que raciocinasse como emendar outra, Salvador.
Ao final, chama de volta para o palco Alxexandre Andrés e seu grupo, formado por alguns dos melhores músicos da cidade: Adriano Goyatá (que destacou-se pela bateria leve e sofisticada), Pedro “Trigo” Santana (baixo acústico) e Rafael Martini (piano, acordeon e violão). Seguindo a proposta do projeto Meio de Campo para a ocasião (troca de experiência entre jovens e veteranos), tocaram algumas músicas juntos e demonstraram entrosamento sobretudo em Maracatu, clássica de Gismonti. BH, de fato, tem música instrumental de alto nível.
O martelo e a cravelha se foram, mas a música ficou e o público a captou.