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Aliás, uma mescla óbvia de estilos, que já deveria ter acontecido há tempos, finalmente se concretiza. Alcina encontra Ney Matogrosso numa das melhores faixas, uma leitura refrescante do clássico Bigorrilho (Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), samba com DNA de coco que foi sucesso na voz de Jorge Veiga. Outro standard, 'Segura esse samba', de Oswaldo Nunes, também ressurge em interpretação mais do que convincente, incluindo trecho de Dondoca, de Adoniran Barbosa. E o baião 'Não se avexe não', de Chico Anysio e Haydee de Paula, ganha tempero superior ao da gravação original de Dolores Duran.
Na linha de letras maliciosas de duplo sentido, que ela consagrou em músicas como 'Prenda o Tadeu' e 'É mais embaixo', aparece 'Concurso de bicho', com presença de uma das autoras, Anastácia. E o carimbó 'Fogo da morena', do paraense Felipe Cordeiro, assim como 'Nhem nhem nhem', de Totonho, reafirma o diálogo da cantora com as novas gerações, explicitado no ótimo disco que ela gravou há 10 anos com o grupo Bojo.
A dupla João Bosco & Aldir Blanc, de quem ela chegou a gravar quatro faixas num só disco (incluindo o hit Kid Cavaquinho), reaparece num tema pouco conhecido, da safra dos anos 1990, 'O chefão'. Mesmo habituada aos dribles e maldades das letras de Blanc, Alcina soa um pouco sem cintura na faixa. Situação semelhante ao da música 'Sem vergonha', de Jorge Benjor, que ela mesma já havia gravado em 1992. Apesar de ter sido um presente do Babulina, não está no rol de sua melhor safra.
Sucessor do álbum Maria Alcina, confete e serpentina, de 2009, 'De normal (bastam os outros)' é um bom suporte para celebrar os 40 anos de vida artística da mineira. É prova inconteste de que ela tem uma qualidade rara numa época de poucos riscos: estilo. E sugere que um show dela com Ney Matogrosso seria, no mínimo, sensacional.