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Veja fotos das atrações na Virada Cultural de BH
A Virada Cultural mineira chegou com um diferencial em relação ao evento paulista, principal fonte de inspiração. Em vez de contar com atrações nacionais conhecidas, a opção foi por um elenco basicamente local, com poucas exceções, como as cantoras Elba Ramalho e Elza Soares e o grupo Demônios da Garoa. O público gostou. "Ficamos cara a cara com nossos criadores. Foi uma opção muito boa. A população de toda metrópole carece de espaços para celebrar a cidade e voltar para às ruas. Achei maravilhoso", afirmou o artista plástico Wilson de Avellar.

O fim da tarde de sábado também movimentou a Praça da Estação, que vibrou com a apresentação do Pato Fu, que atraiu público eclético, ao qual não faltavam crianças. A banda mineira se apresentou antes do show de Elba Ramalho com a Orquestra Sinfônica Arte Viva, regida pelo maestro Amilson Godoy. Nem o atraso, devido a problemas com o som, desanimou a plateia, que seguiu o comando da cantora paraibana, dançando sem parar noite adentro. Com muita energia, Elba fez apresentação emocionada, dedicada ao sanfoneiro e amigo Dominguinhos, que morreu em julho.

Animação também não faltou na Praça Sete, ao lado do Cine Theatro Brasil, na Rua Carijós, que se encheu para assistir aos shows da Banda Forró no Escuro, Celinha Braga e as Rainhas do Rádio, Lorena Chaves e Tino Gomes. Em seguida, o público acompanhou a exibição em telão ao ar livre dos filmes Cinema Paradiso, Tostão, a fera de ouro e do curta Mulheres incomuns. Para acompanhar, os espectadores podiam ainda degustar um autêntico tropeiro, vendido a R$ 5 o prato. Ali por perto, o vendedor de pipocas Flávio Sebastião da Silva, o conhecido Sucuri, aproveitava para incrementar as vendas em seu ponto habitual. "Aqui hoje está muito bom, só tem coisa fina", disse.

Revirada
A MC Negra Lud elogiou a experiência da virada. "Foi a coisa mais importante que aconteceu na cidade nos últimos tempos. Ocupar BH com cultura é o melhor meio de sair às ruas." Mesmo não tendo sido selecionada para a programação oficial, que contou com cerca de 400 atrações, não quis ficar fora da festa. Organizou com outros artistas a Revirada Cultural, que ocupou o Viaduto Santa Tereza, do lado oposto em que ocorria a programação oficial. "Não fizemos para detonar, mas para mostrar que, independentemente dos governos, também fazemos cultura."
O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), foi conferir de perto o evento promovido pela PBH por meio da Fundação Municipal de Cultura. "A Virada Cultural é uma conquista da capital. Ver a população nas ruas, nas praças, convivendo e curtindo é muito bom, pois humaniza a cidade. Este encontro é uma forma de sairmos da vida robotizada que o trabalho, o trânsito e os compromissos nos impõem", disse. "A gente que vive cheio de notícias ruins, devemos pegar este lado positivo para festejar", concluiu.

Depois do agito da noite de sábado, a manhã de domingo da Virada Cultural começou sonolenta. O palco dedicado às artes cênicas, na Praça Afonso Arinos, ficou praticamente vazio para a apresentação do Teatro Negro e Atitude. Marcada para às 9h, a peça começou meia hora depois e, mesmo assim, com a maior parte das cadeiras vazias. Na Savassi, a apresentação do Grupo Giramundo também sofreu atrasos, por causa da sujeira do local. O lixo da noite anterior ficou amontoado no chão, já que as lixeiras não comportaram o movimento. As atrações previstas para a manhã de domingo só começaram depois que do trabalho do serviço de limpeza.
"Uma iniciativa assim estimula a população a ocupar os espaços públicos de maneira saudável. Espero que eventos como este continuem a rolar em BH." (Gusthavo Santana, estudante de letras)
"Belo Horizonte, que tem uma produção cultural tão intensa, se enriquece ainda mais com um acontecimento desse porte." (Luiz Hippert Soares, produtor Cultural)
"Estou mal informado sobre eventos. Fui ao show do Uakti e resolvi vir caminhando pela cidade. Estou deixando as atrações me levarem." (Felipe Gontijo, administrador)
* Colaborou Carolina Braga.