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Leonilson é um autor singular, que se afirmou no contexto de busca de mais liberdade para a arte, afirmado a partir dos anos 1980. Adriano Pedrosa conta que, por considerar que a obra de Leonilson já ganhou boas retrospectivas, mostrando tanto o início de sua carreira quanto sua obra madura, decidiu se voltar para motivos que estão na obra do artista, sem muita preocupação com cronologia.
O curador priorizou obras realizadas a partir do final dos anos 1980 e 1990, por se tratar de um momento que consolida a dedicação de Leonilson a imagens delicadas e filosóficas, deixando de lado o vibrante expressionismo que é marca de muitos de sua geração. Essa abordagem, segundo diz o curador, traz comentários sobre o mundo e mostra o caráter de diário que tem a obra do cearense, valendo-se de imagens que aludem à vida afetiva, sexual e amorosa.

“Tudo é simples e arrebatador”, afirma o curador, que é diretor artístico do Masp. “São trabalhos de grande beleza e com leituras profundas do mundo”, acrescenta. A sessão que leva o nome de 1991, remete à longa entrevista que Adriano Pedrosa fez com Leonilson, conversando “como dois amigos que têm interesse em arte” sobre muitos temas, usada para mostrar a visão do artista sobre as obras.
“Como os trabalhos trazem uma visão muito pessoal, são intimistas, têm um aspecto de diário, há uma tendência a vê-los como se fossem uma biografia fiel da vida de Leonilson. Não é bem assim. O que ele faz é uma fabulação, jogando com verdade e ficção”, observa, explicando o título da exposição. Leonilson, conta Pedrosa, foi artista de ir todo dia ao ateliê, conhecia a cena internacional, até por ter morado na Europa e viajava muito. O grande número de desenhos, observa, se explica pelo fato de que blocos e aquarelas eram o material mais prático para ser levado em viagens. Muitos desenhos, observa Pedrosa, têm o nome da cidade onde foram realizados, algumas vezes, abreviado.
Leonilson teve impacto sobre o modo de Adriano Pedrosa ver a arte: “Aprendi muito com ele. Eu era muito jovem, e foi Leonilson quem me mostrou vários artistas”, recorda. O curador elogia o trabalho de catalogação e difusão da obra do artista feito pelo projeto Leonilson (que envolveu, inclusive, doações de obra para o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Centro Georges Pompidou, a Tate Galery etc.). O projeto agora está às voltas com a elaboração do catálogo geral do artista. É uma ação que contrasta com um ambiente (o brasileiro) em que poucos autores tiveram a felicidade de ganhar um trabalho assim, inclusive porque é caro, como observa Pedrosa, citando que no caso de “uma artista como Djanira, não sabemos direito o que existe da obra dela”.
Ícone da Geração 80

Depois de participar de salões de arte, fez sua primeira individual ('Cartas a um amigo') no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. Em suas andanças pela Europa, a partir de 1981, expôs na Espanha, na Itália, na Alemanha e em Portugal.
No Brasil, Leonilson se integrou ao grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, criando cenários, figurinos, objetos de cena e textos. Suas exposições nas galerias Luiza Strina (SP) e Thomas Cohn Arte Contemporânea (RJ) causaram impacto pela visualidade lírica e inovadora e fizeram do artista um ícone das transformações trazidas pelos anos 1980.
Desde então, Leonilson torna-se presença regular em mostras dedicadas aos jovens artistas e às novas propostas visuais, tanto no Brasil como no exterior. Apesar de ter exposto fora do Brasil, não presenciou a internacionalização da arte brasileira.
'Leonilson: Truth, Fiction'
Trabalhos de José Leonilson. A partir de quinta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. De quarta-feira a segunda, das 9h às 21h. Classificação etária: livre. Entrada franca. Até dia 28 de setembro.