

Como Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) não tinha preconceito de gênero, sua retrospectiva está dividida em quatro temas: retratos, naturezas-mortas, obras sacras e paisagens. Em todas as salas destacam-se pinturas e desenhos que impressionam pelo olhar moderno de Guignard, formado nos museus e academias da Europa nos anos 1920, época em que nasciam movimentos, escolas e salões transgressivos. “Não posso concordar quando atribuem a ele um olhar naïve”, observa Duarte. “Não se trata de um autodidata, mas de um artista formado em contato com movimentos como o cubismo, o expressionismo, o dadaísmo e o surrealismo, cujas escolhas formais são determinadas por sólidos conhecimentos técnicos e históricos.”
Ao retornar ao Brasil, em 1929, após expor no Salão dos Independentes, no Grand Palais, ao lado da futurista Natalia Goncharova, Guignard tentou encontrar ambiente entre poetas (Murilo Mendes e companhia) e artistas com afinidade espiritual (como Ismael Nery). Bom retratista, pintou homens e mulheres da classe alta nos anos 1930 e 1940 – entre eles o das irmãs gêmeas Lea e Maura, sendo a primeira mãe do artista contemporâneo Tunga. A tela hoje pertencente ao Museu Nacional de Belas Artes.
Muitas instituições, além do museu carioca, cederam obras para a exposição, entre elas o MAM (de São Paulo e do Rio) e a Pinacoteca. Coleções particulares (Gilberto Chateaubriand, Roberto Marinho) também colaboraram. Entre as preciosidades destaca-se a versão de A família do fuzileiro, que tanto impressionou Mário de Andrade por sua “brasilidade”. (Estadão Conteúdo)
Guignard – A memória plástica do Brasil moderno
Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, portão 3, São Paulo. De terça-feira a domingo, das 10h às 17h30. Até 11 de setembro.