

saiba mais
-
Cearense Gero Camilo comemora 20 anos de carreira e defende o trabalho do ator
-
Nicole Kidman interpreta Grace Kelly em filme que abrirá Festival de Cannes
-
Alfonso Cuarón leva o prêmio do Sindicato de Diretores por 'Gravidade'
-
Comédias confirmam bom momento e começam o ano com recorde histórico
-
Mestre do documentário no Brasil, Eduardo Coutinho deixa legado marcado por experimentação e pioneirismo
-
Praças de BH recebem festival de cinema infantil
“Forte, no filme, é a maneira como Miguel Gomes conta a história entrelaçando a primeira e a segunda partes com cenas ou frases de uma que só são percebidas na outra, e vice-versa”, elogia a atriz portuguesa Teresa Madruga em entrevista respondida ao Estado de Minas. “O trabalho de som é excelente e há exploração da cor e da luz, no preto e branco, que não se repara”, acrescenta, contando sobre os casacos de cores diferentes para mostrar o escurecimento físico e psicológico de Pilar. Ivo Muller, por sua vez, elogia a beleza das imagens, a estrutura lúdica que faz a fantasia ser parte da história.
“Quando li o roteiro, achei difícil fazer uma personagem tão neutra, uma anti-heroína tão low profile. São as ações dos outros que a fazem agir, um pouco sonâmbula, viciada em cinema como se fosse segunda vida. E olhando cada pessoa como se fosse um filme a se desenrolar à sua frente”, conta Teresa Madruga. “Conseguir fazer uma Pilar com o mínimo de movimentos, mínimo de variações na voz e no olhar de quem está vendo cinema foi um desafio que gostei muito. Foi aceitar um papel que não conduz a prêmios”, observa com ironia.
Teresa Madruga tem 60 anos, nasceu na ilha do Fail, Açores. Começou a atuar no teatro, em 1976, tendo recebido vários prêmios desde então. Atua, ainda, em televisão e cinema, fazendo longas e curtas, e já atuou em comissão de seleção e premiação de filmes. Trabalhou com inúmeros diretores portugueses, veteranos ou jovens, como Manoel de Oliveira, António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro, João Pedro Rodrigues, Fernando Vendrell e João Botelho, entre outros. Já foi indicada para o British Academy Awards e ao prêmio César do Cinema Francês.
Duas perguntas para...
Teresa Madruga
atriz
O que já se sabe sobre o cinema português e o que merece mais atenção?
Há vários realizadores e filmes de mais idade, que, pela sua originalidade e não subjugação ao comercial, tornaram visível e conhecido o cinema português. Manuel de Oliveira é um deles. Convém ficar muito atento aos novos. E já são muitos, o que é surpreendente neste país de governantes medíocres determinados a assassinar qualquer tipo de arte. Eles trazem surpresas e muito conhecimento do ofício. Miguel Gomes é um deles.
A senhora gosta mais de cinema do que de teatro?
Fui para a escola de teatro porque era viciada em cinema. Foi o cinema que me levou a ser atriz. Sei que fiz muito mais coisas interessantes em teatro do que em cinema. Dou sempre a mesma importância aos trabalhos, sejam grandes ou pequenos papéis, e misturo vários meios porque ajuda a descobrir coisas novas. Gosto de ser atriz, de sempre oferecer o que acho que sei, mas ainda estou apreendendo também. Cada novo realizar traz sempre uma surpresa.