
Se fosse possível criar um manual com o passo a passo de como fazer um sucesso romântico teen, poderíamos dizer que a empreitada do diretor Richard LaGravenese (que tem no currículo exemplares do gênero água com açúcar tipo 'P.S: Eu te amo') segue a fórmula de ouro à risca. Nesse sentido, falta originalidade. Mas, 'Dezesseis luas' não parece pretender ser mais que isso. É exatamente esse o seu trunfo.
Num lugarejo sombrio nos Estados Unidos, o belo Ethan Wate (Alden Ehrenreich) é surpreendido pela chegada da jovem e misteriosa Lena Duchannes (Alice Englert). A paixão a primeira vista evolui para um quadro envolvendo mortais e imortais, amor impossível, luta, morte, enfim, aquelas coisas que costumam incrementar as tramas do gênero.
No caso, é ela quem tem o destino marcado por fenômenos estranhos. Lena é uma conjugadora, uma espécie de bruxa cujos poderes sobrenaturais podem transformá-la em uma figura do bem ou do mal assim que completar 16 anos. A 104 dias do aniversário, porém, a menina é arrebatada por Ethan e precisa lutar contra uma maldição secular.
Mesmo que a trama básica seja recheada de clichês, 'Dezesseis luas' é honesto com o que se propõe. É só uma história de amor adolescente. Ponto. A narrativa é construída de modo a atrair o espectador tacitamente para aquele universo. À medida que você aceita o acordo com a fantasia, fica bem mais fácil acreditar – e o mais importante, não julgar – o que vê na tela.
'Dezesseis luas' é, de certa forma, até contido nas criações visuais. Os efeitos são usados sem exageros, já que, por incrível que pareça, eles não são a cereja do bolo. O encantamento do primeiro amor, as dificuldades de bancar uma relação praticamente impossível, as inseguranças da juventude estão em primeiro plano. Não espere discursos consistentes sobre amor, vida, etc. Lembre-se, a proposta é clara. 'Dezesseis luas' é um filme pipoca.
A isso, soma-se o fato de Richard LaGravenese ter tido a sabedoria de convocar tanto figuras tarimbadas como estreantes para o elenco. A experiência de uma Viola Davis ou uma Emma Thompson, por exemplo, ajudam a balancear a estrada curta de Alden Ehrenreich e Alice Englert. E, para quem gosta das franquias do gênero, um aviso: a saga de Ethan e Lena parece estar só começando.
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